sexta-feira, 8 de março de 2013

Um pouco do que vimos em Nashville

Nashville, 6:50
Não escrevi antes porque andamos muito pela cidade na quarta-feira que cansei e não consegui postar nada. E esta cidade respira música, muita música
Saímos pela manhã de quarta usando o sistema de transporte público. Aqui não tem metrô, mas o sistema de transporte de ônibus é muito eficiente. Em cada ônibus em no terminal central, de nome Music City Central, é possível pegar um folder para cada linha de ônibus com o trajeto e os horários. 


Os motoristas são muito atenciosos e não tem cobrador e voce pode pagar tanto em dinheiro, cartão ou ordem de pagamento. Pagando em dinheiro na máquina recebo o troco em um cartão que pode ser usado na próxima viagem. Não há catraca, mas ninguém viaja sem pagar. Ontem um senhor entrou no ônibus e o motorista ficou esperando até ele sentar-se para sair do ponto. 
Vimos a maioria dos motoristas sendo negros, a maioria dos usuários que viemos são negros. Há muitas mulheres negras como motorista.
No centro da cidade tem tres linhas chamadas de music city lines. Elas são gratuitas e circulam pelos locais históricos e ligados à música. Nas ruas do centro tem caixas em quase todas as esquinas com alto-falante que ficam tocando música country.
Visitamos o Country Music Hall of Fame and Museum. Um espaço em forma de piano com muita coisa sobre música country. Vajam um pouco do que vimos.









O museu esta organizado desde a root music até a adaptações do country no cenário musical atual. E apresenta roupas e instrumentos musicais utilizados.








Sendo que alguns instrumentos são considerados reliquias.







Existem também dois carros exóticos.
Este o cantor gastou vinte mil dolares para personalizar seu carro.






Também o piano dourado de Elvis Presley e seu cadilac decorado com ouro estão expostos.



Um grande painel dos discos de ouro e prata das estrelas enche grandes paredes do museu.







São tres andares de museu e no segundo existe um grande circulo com figuras de todos os artistas admitidos no hall da fama.



No início da noite diversos pubs se enchem com pessoas para beber e ouvir música. Ou toca-se na rua mesmo. O que importa é que a música aconteça em todos os cantos.





Até na abertura da SALSA 2013, ontem a tardinha na Vanderbilt University, tivemos a presença de música country.
Essa visita ao museu serviu para concluirmos que não se pode conhecer a cultura de um povo sem conhecer a sua música. Não se conhece o Brasil sem entender o samba, o choro, a musica caipira. Nos USA também não se conhece o pais sem entender os diversos tipos de musicas aqui existente.




terça-feira, 5 de março de 2013

Visitas, aprendizagens e viagens

Nashville (TN) 20:50 hora local
Ontem pela manhã foi a vez de aprendermos a manejar as máquinas da lavanderia do prédio. É muito comum que os apartamentos não tenham maquina de lavar e secar in door. Então temos que ir até a lavanderia e inserir créditos num cartão com o qual pagamos lavagem e secagem. US$1,75 por cada máquina de lavar e US$1,75 por cada máquina de secagem. Mas tudo funciona muito bem. As roupas saem limpas das máquinas de lavar e muito bem secas das máquinas de secar.

Em seguida fomos a outra glocery para comprarmos peixe para preparar um jantar para nossa amiga Mary Karasch. Fomos até o Giant Market e compramos cod fish e camarões. Preparamos o jantar acompanhado de boa conversa e um bom vinho chardonnay da California. Trocamos palavras, presentes e combinamos nossa viagem para conhecer o Arizona e as comunidades indígenas daquele Estado, como os Hopi, os Navajo e os Apache.





Hoje pela manhã saímos de casa 5:30 para tomarmos o metro em direção ao aeroporto Nacional Ronald Reagan.




Chegamos no horário ao fazer o check in foi que ficamos sabendo que cada bagagem despachada paga U$25,00. Tentei pagar com Travel Money mas não deu certo. Tentei o  Visa Internacional do BB, mas não passou. Então a funcionária explicou que o link da VISA tinha caido. A saída era pagar em cash, mas isso somente no andar de cima. A funcionária disse que poderia subir e pagar. Dei-lhe uma nota de U$50,00 e ela acabou voltando com troce de U$25,00 e dizendo para eu levar a bagagem menor na mão. Somente depois do despacho da mala maior foi que percebemos que haviam objetos pontiagudos na mala menor como tesoura e garfo da Irepti. Tentei recuperar a bagagem maior mas após mais de meia hora ela não voltou. Como aproximava de 8:00 horas, a funcionária sugeriu que guardaria os meus objetos para eu pegar na volta a Washington. 
Fomos ao embarque. Tiramos casacos, bolsas, botas e fomos passar pelos scanners  Eu e Irepti passamos pelo detector de metais mas Ligia foi no escanner. Enquanto isso, nossa bagagem foi para a revista devido aos frasco de Toddy. Abre malas, checa, confere, testa se não é explosivo. Finaliza e nos despacha. Mas, tarde demais. Nosso voo ja estava fechado. Ainda chegamos a pegar uma van para ir até o avião para um voo direto. Mas o transito de aeronaves não permitiu e retornamos ao nosso portão. Fomos remarcados para um voo duas horas depois com conexão em Philadelfia, Pensilvania.
Embarcamos num avião bimotor a hélice de 37 lugares e tivemos então a oportunidade de ver a costa e a baia de Chesapeake. De Philadelfia seguimos num voo sem escala até Nashville. No voo, a aeronave passava por sobre as densas nuvens da tempestade de inverno que deve levar neve a costa leste. Infelizmente Irepti não vai poder ver neve ainda. Eu notava que as asas do avião Embraer começava a acumular gelo sobre as asas.
Chegamos em Nashville por volta de 2:00, horario local, ou uma hora a menos que Washington. As lojas com artefatos em couro, fabricados no Texas, chamou a atenção bem como os sinais de Jack Daniel´s (o mais famosos Whisky americano).

Após recuperar a bagagem, seguimos para a nossa hospedagem em Scarritt Bennett, onde chegamos com chuva fria e fina. Trata-se um um mosteiro metodista que serve como centro de eventos.
Amanhã vamos tentar de ver a cidade e tirar mais fotos para postar para vocês. Até amanhã.

domingo, 3 de março de 2013

De pessoas e coisas que vimos por aqui!

Silver Spring, 22:00
Em outro post eu falei das primeiras impressões que tivemos sobre as pessoas ao chegarmos aqui. Queria comentar um pouco mais sobre isso. Porque me lembrei do texto de Ralph Linton sobre o homem americano que, diante de todas as evidências contrárias, achava que tudo que usava era autenticamente americano.
Lembrei disso devido a existência de em muitos estrangeiros vivendo aqui. No dia que chegamos, conseguimos uma informação com uma mulher do Nepal. No supermercado o caixa que nos atendeu era estrangeiro mas eu não perguntei de onde ele era. Aqui no condomínio Summit Hills existem muitos trabalhadores de El Salvador. No mercado existente aqui dentro, o funcionário que me atendeu é paquistanês. A vendedora que veio nos atender com tv a cabo, internet e telefone, é de Camarões. No shopping Ligia comprou algumas embalagens de presente com um indiano e hoje ganhamos uma carona de uma funcionária daqui que é da Guiana. E todos esses, bem como os americanos nativos, tem sido extremamente amáveis. Sabendo que não somo totalmente proficientes em inglês, mostram-se pacientes em nos explicar, em falar devagar e responder a perguntas até mesmo bobas. Por exemplo, nas portas dos prédios tem uma caixa de madeira com tampa onde esta escrito: "let it snow", que poderia ser traduzido por "deixa nevar"! Irepti quiz saber o que continha aquelas caixas e fui perguntar a Julia, manager do Service Center daqui. Ela, pacientemente saiu para nos mostrar que dentro da caixa tinha sal e que ele é utilizado para ser espalhado no chão, quando se forma muito gelo nos dias mais frios para degelar e evitar quedas das pessoas. Além de explicar, ela nos brindou com alguns bombons de chocolate. 
Ontem pala manhã eu fui até a casa de Barbara Watanabe, que fica em Capitol Hill, um bairro ao qual eu somente teria acesso por ônibus ou metro. Eu ja tinha visto pela internet no site do metro, que era preciso comprar um cartão, chamado de smartrip que pode ser recarregado e usado tanto no metro quando nos ônibus. Mas tudo é vendi nas máquinas nas quais temos que inserir notas de dinheiro. Solicitei e fui atendido por um funcionário. Na verdade eles tem em cada estação um manager que é responsável pelos atendimentos. Solicitamente ele me levou até a máquina e me explicou e comprou com meu dinheiro o meu cartão para eu aprender. Tomei o metro em direção ao centro de Washington mas haviam tres estações fechadas para manutenção e saltei na próxima, Tacoma Park. Dali os ônibus faziam o transporte dos passageiros passando pelos tres estações fechadas e indo até a NoMa station de onde podíamos seguir em frente. Tudo muito organizado. Todos fazendo fila ordenadamente e todos respeitando os agentes que organizavam o embarque nos ônibus. Não sai um ônibus com alguém em pé.
Ao chegar em Capitol Hill, tive que ir perguntado às pessoas na rua para encontrar o endereço desejado. Todos sempre foram atenciosos e cordiais. O último senhor, um trabalhador de construção, talvez um pintor, levou-me para atravessar uma quadra por um atalho até chegar na rua desejada. Encontrei a casa de Barbara onde Don, seu esposo e sua filha, Jean, já tinham carregado no El Chefe Rojo, uma caminhonete Ford, as nossas coisas. Num frio de 32 F (ou 0 C) antes de partirmos, lanchamos  sanduíches deliciosos preparados por Barbara. Em seguida fomos para Silver Spring e no caminho pacientemente ambos me falavam com calma sobre os lugares para eu poder entender. Passamos em frente a Gallaudet University, uma escola especializada e dedicada a estudantes surdos. O lugar é muito bonito e pretendo voltar para conhecer melhor essa escola. 
Após deixarmos as coisas no apartamento, mesmo com muito frio tomamos o metro para irmos até o Westfild Mall, em Wheaton.

Eu havia comprado um DVD player na Best Buy da Georgia Avenue para Irepti poder assistir seus desenhos. Mas o aparelho não funcionou. Então fui ao setor de atendimento ao consumidor, apresentei a nota e tranquilamente e gentilmente testou e detectou o defeito e prontamente permitiu a troca por outro e paguei a diferença. Não tem data específica para realizar trocas, como em algumas lojas de departamento no Brasil. Aqui a qualquer dia e hora, estando a loja em funcionamento, é possivel fazer isso.
Ao sairmos das compras, precisavamos de um taxi. Perguntei a uma funcionária de uma lanchonete como conseguir um taxi. Ela disse que somente ligando para um. E como eu não tinha telefone ela mesma perguntou se queria que ligasse. Aceitei e ela gentilmente me pediu que sentássemos e aguardássemos que o taxista ligaria para ela ao chegar e ela me avisaria. Assim fez alguns minutos depois e tomamos o táxi cab. É verdade que o taxista não abriu o porta-malas para colocarmos nem para tirarmos nossas compras, mas tudo bem!
Hoje pela manhã, numa manhã clara mas gélida (novamente os termômetros marcavam 32 F - 0C) precisamos sair para comprarmos algumas coisas para esperarmos visita. O jeito foi colocar as roupas que havíamos comprado: meia-calça, thermo skin, calça e duas meias. Blusa thermo skin, camisa, pulover e jaqueta; gorro thermo skin e outro gorro de lã e luvas terminavam a indumentária.




Fomos até Silver Spring dowton onde tem uma pista de patinação no gelo. Prometemos para Irepti que voltaremos depois ali para ela tentar patinar. 
Aqui, como em todos os lugares do mundo, existem muitas coisas made in China. Mas, ao contrário de muitos lugares do Brasil, a maioria dos produtos made in China daqui são muito bons e baratos. Compramos um junto de panelas de seis peças por US$18,99, ou algo como R$40,00. Mas todas panelas e frigideiras resistentes no estilo Tramontina no Brasil.
Então me lembrei de uma conversa que tive com um filho de libanes em Manaus. Naquela ocasião ele me falava que o problema dos produtos de má qualidade não era culpa dos chineses mas dos compradores, pois os chineses fazem o produto que o cliente desejar. Se quizer produto barato e péssima qualidade e pagar por isso, os chineses fazem. Se quizer produto de ótima qualidade e pagar por isso, eles fazem também. Assim, percebo claramente que o problema no Brasil são os consumidores e os comerciantes e não os chineses. Aqui nem comerciantes nem consumidores querem produtos de baixa qualidade e então os chineses fazem o produto para atender o desejo do mercado daqui.







Ao contrário de New York, aqui quase não há táxis circulando nas ruas. Eles geralmente atendem as chamadas por telefone e então não é fácil sinalizar e um carro parar. Assim fomos para casa a pé até que gentilmente uma guianense, funcionária do Summit Hills, nos ofereceu uma carona. 
Chegamos em casa e tivemos tempo de preparar para recebermos Bill Crocker e sua esposa Jean para um chá e uma conversa. ;Eles foram muito amáveis trazendo de presente queijo de Winsonsin e vinho da California além de peras frescas. Foi muito agradável e vamos nos reencontrar em Nashville na próxima semana.


E assim terminamos o quinto dia aqui, trabalhando duro e tendo a cada dia uma nova experiencia de aprendizado.


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Chegando ao USA - primeiras impressões

Silver Spring, 8:00
Fizemos uma viagem bastante tranquila de Brasilia até Atlanta. Em voo da Delta (dl 222) com direito a um jantar com bom vinho tinto, chegamos a Atlanta por volta de 5:30 da manhã. Preenchidos os papéis para a imigração (uma declaração minha como chefe da familia, com informações sobre o que trazemos na viagem e de onde vamos ficar aqui e outra individual) enfrentamos as inúmeras filas. Todas as bagagens devem ser retiradas, mesmo que se esteja em conexão. Mas antes de retirar as bagagens passa-se pela imigração. Nossos passaportes são conferidos com nossas pessoas. Perguntam qual o objetivo da viagem. Após explicar que é para passar seis meses em pesquisa no Smithsonian, o agente pede os documentos comprobatórios. Apresentados estes, somos liberados com desejos de boa estadia na América.
Um coisa que chama a atenção é a eficiência em organizar as filas e a grande presença de pessoas negras trabalhando no aeroporto. Conversando com Ligia, que notou essa presença, falamos que o sul do USA foi região de plantation, tal como o nordeste brasileiro. Então isso explica a grande presença negra na região.
Na declaração de entrada no país, marquei que estava trazendo alimentos, pois em nossa mala estavam os doces amor-perfeito que trazemos para nossos amigos aqui. E na mala de mão estavam as baby foods da Irepti.
Assim, após passar pela imigração, tomamos o trem interno ao aeroporto e fomos até o terminal A para retirar a bagagem para depois reenvia-la para Washington DC. Tivemos que passar pelo setor de controle de alimentos que queriam saber o que tinhamos trazido. Explico e nossas malas são escaneadas e as baby foods vistoriadas. Tiveram mais cuidado com um resto de leite que estava na mamadeira de Irepti....
Liberados, despachamos a bagagem. Era por volta de 8:00 e esperamos até nosso voo as 12:00.
Enquanto isso, Irepti se divertia com seu cachorrinho e observamos a movimentação da Delta neste terminal. Assim como a Azul domina o aeroporto de Viracopos, alguns terminais deste aeroporto são dominados pela Delta airlines.










Chegamos ao aeroporto de Dulles 14:00hs e, aqui também, há que se tomar um trem dentro do metro para ir do terminal de desembarque até a área de restituição de bagagem. Ao contrário do que acontece nos aeroportos brasileiros, em Dulles as esteiras estão acessíveis para o publico.
Lá encontramos William H. Crocker em pé nos esperando na esteira 14. Nos deus as boas-vindas. Encontramos também com Barbara Watanabe que foi com seu carro (Rosita é o “nome” do carro vermelho dela).
Nossa bagagem não estava rodando na esteira e já haviam se passado alguns minutos esperando. Irepti pediu para eu dar um volta com ela sobre o carrinho (que em Dulles custa $ 0,25 para ser usado). Do outro lado da esteira uma mulher perguntou se eu era Mr. Giraldin. Confirmei e ela disse que minhas malas estavam separadas porque eram muito grandes e pesadas para ir para a esteira. Ela me perguntou se eu estava com os tickets da bagagem. Respondi que iria pegar em minha bolsa do outro lado. De uma maneira confiante, que não é comum encontrar no Brasil, ela disse que eu poderia levar as malas sem apresentar os tickets, acreditando em mim ao dizer quem eu era.
Saimos de Dulles com uma chuva fria e constante. Este aeroporto fica ao sul, em Virginia, e seguimos por uma estrada exclusiva para o transito até o aeroporto. Há quatro mãos em cada lado e no meio esta sendo construída a extensão do metro até o aeroporto. Seguimos por ela até pegarmos a Beltway, uma estrada que circula o distrito federal. Pude observar uma coisa infelizmente pouco comum no Brasil. Mesmo sob aquela chuva fria, havia um policial abordando um carro e verificando documentos do motorista. Na maioria dos estados brasileiros a polícia rodoviária apenas atua nos postos existentes na beira das estradas. Talvez em São Paulo seja possível encontrar policiais vistoriando as estradas.  Essa certeza da presença policial e da aplicação efetiva da lei, leva as pessoas a respeitar as regras. Onde tem uma placa de pare, as pessoas param. Talvez tenha também um sentido de senso de vida em comunidade em que a vida coletiva depende das pessoas individualmente seguir as regras. Deve ser por isso que Barbara arrumou um banco infantil para transportar Irepti.


Ontem conversando com Barbara sobre a inexistência de muros em cada casa, ela me disse que isso se deve a esse sentido de vida compartilhada e que os muros cerceiam esse sentido de vida de vizinhança.
Barbara e Crocker nos levaram até o Comfort In Hotel em Silver Spring. Após nos instalarmos, mesmo com chuva (usando as sombrinhas providencialmente trazidas por Barbara) saímos para comprar algumas coisas para comer e leite para a Irepti. Fomos até Silver Spring Downtown. A chuva apertava e o vento deixava a sensação de frio ainda maior. Apesar de marcar 36 F (algo como 3 graus C) a sensação era de mais frio. Nossas roupas nos serviram para não congelarmos, mas sentimos frio.
Existem muitos estrangeiros aqui. Ao entrar num shopping, perguntei a uma mulher onde poderia comprar leite usando meu sotaque. Ela não entendeu e após três vezes falando que eu queria comprar milk, ela entendeu e falou milk em seu sotaque. Perguntei de onde ela era e me respondeu que era do Nepal. Então ela nos indicou o Whole Foods, um mercado que eu já conhecia do google maps. Encontramos o mercado e pudemos comprar o que precisávamos e também comida pronta vendidas num sistema de self-service. Ligia adorou os pães e as frutas. Compramos e experimentamos as blueberry e blackberry. Irepti pode experimentar o que sempre via apenas nos desenhos animados.
Apesar de estarmos apenas 5 quadras do hotel, a volta foi difícil pois a chuva e o vento aumentaram e a sensação de frio aumentava. Mas o banho quente numa banheira cheia foi relaxante o suficiente a ponto de nos derrubar após comermos.
Ontem tivemos um bom café da manhã com um pão que Ligia adorou. Barbara nos apanhou pontualmente 9:30 e fomos ao Summit Hill assinar os papéis do aluguel do apartamento e pegar as chaves. Barbara trouxe diversas coisas emprestadas para nossos primeiros dias. Em seguida fomos até um Mall (um grande centro de compras) em Wheaton para comprar cookwere (coisas para cozinha), como panelas, frigideira e algumas comidas, sobretudo pensando na necessidade de fazermos comida para Irepti que não comia quase nada desde segunda-feira. Compramos macarrão e ovos que ela comeu legal a noite. No Mall Irepti aproveitou para dar uma voltinha de trenzinho



Passamos a tarde neste shopping e compramos o que precisávamos. E para isso contamos com a inestimável ajuda e paciência de Barbara Watanabe. Porém não comprei um telefone ainda pois aqui o mais comum são os celulares bloqueados em uma operadora. Ao contrario do que acontece no Brasil, onde podemos usar dois chips (SIM card) de operadoras diferentes num mesmo celular, aqui o mais comum é cada operadora vender os aparelhos e o consumidor ter que ficar apenas com aquela operadora. Barbara comenta que neste item o Brasil esta muito mais avançado que os Estados Unidos. Vou pesquisar um pouco mais até encontrar um unlocked cell phone.
Assim passamos nosso segundo dia nos USA e agora temos um endereço aqui: 8504 16th St Apt 404. Silver Spring MD 20910. 


domingo, 24 de fevereiro de 2013

Últimos preparos para iniciar uma viagem antropológica aos USA

Brasilia, 22 hs
Estamos em Brasilia desde sexta-feira. Nos despedimos de nossa casa em Porto Nacional, deixando-a nas mãos de Márcia Gomes e na vigilância de Washington Cavalcante.


Depois de tudo organizado, colocamos novamente a nossa velha amiga Parati na estrada. Como se fosse um cavalo amigo, ela parece gostar de estrada.


Passamos por Natividade para comprarmos doces para levarmos para nossos amigos americanos. Na oficina de Tia Naninha, compramos amor-perfeito.


Em Brasilia cuidamos para a compra das ultimas peças para preparar a viagem. E paramos para tomar um sorvete no gramado do Conjunto Nacional.


Antes de viajar, segui a sugestão do amigo prof. Raphael Pimenta, da UFT, e providenciei a PID (Permissão Internacional para Dirigir). Desloquei-me de Porto Nacional para o Detran de Palmas levando os documentos solicitados por eles. Mas lá descobri que eu poderia ter feito isso na CIRETRAN de Porto Nacional.
O processo é bastante simples pois segue um convenção internacional e todos os motoristas com CNH em vigência podem solicitar a PID, pagando apenas a taxa de R$ 90,00. Não sei se vou dirigir nos USA, mas vou com condições legais para isso.

Agora que estamos prestes a embarcar (nosso voo esta previsto para amanhã as 22:40) reflito que essa preparação para a viagem e a experiência de passar seis meses em Washington tem algo semelhante ao processo de preparar uma viagem de campo para realizar pesquisas com um povo diferente. Assim como quando fui aos Apinaje pela primeira vez, agora também não domino plenamente a língua, mas a imersão me fará TER que aprender para poder entender o modo de vida deles e aprender seus códigos e saber viver entre eles minimamente bem. Tal como quando fui para a aldeia, agora também já se providenciou uma casa para nós habitarmos em Silver Spring (agora já temos um endereço lá, num conjunto chamado Summit Hills). Mas, enquanto na aldeia Apinaje essa moradia não custa nada, em Silver Spring haveremos que desembolsar o valor do aluguel, como é típico daquela sociedade (muito parecida com a nossa, claro!).
Mas temos a sorte de poder contar com a ajuda de alguns amigos. Não precisaremos comprar nem alugar mobilias. Até o proximo final de semana, Don e Barbara nos emprestarão camas, colchões, roupas de cama e mesa, cadeiras, coisas de cozinha, etc. Combinamos de eu e Don carregarmos essas coisas na caminhonete dele e levarmos para nosso apartamento. Até lá, ficaremos meio acampados no apartamento.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

O que uma viagem noturna e uma diurna pode nos ensinar?


Porto Nacional
Recentemente postei aqui no alguns descrições da viagem que fiz a Brasilia para tratar da coleta de dados biométricos e da entrevista para a solicitação do visto americano J. Coloquei algumas fotos de alguns dos belos lugares por onde passamos no trecho entre Arraias (TO) e Alto Paraíso (GO).
Eu já havia feito essa viagem antes de ônibus, com saída de Porto Nacional as 20:00 e retorno saindo de Brasilia as 19:00. Ou seja, nessas viagens de ônibus todo o trajeto é feito durante a noite e os passageiros somente tem acesso visual aos pontos onde ocorrem as paradas: rodoviárias das pequenas cidades ao longo do trecho ou parada em alguma lanchonete/restaurante, como aquela da cidade de Terezina de Goiás, onde se come um pastel muito crocante (mesmo que seja de madrugada).
Pois bem. Fiz esta viagem na ultima segunda feira, indo a Brasilia retirar os passaportes meu, de Lígia e Irepti, com os respectivos vistos. E agora ao passar pelos lugares, tendo conhecimento sobre a paisagem do local, a sensação foi muito diferente. Ao parar em Terezina de Goiás, antes eu via apenas a lanchonete e, fora dela, a escuridão. Mas agora, sabendo que a cidade é ladeada por uma bonita serra, a minha percepção da localidade foi muito diferente, afinal eu sei que a serra e toda a linda paisagem esta lá.
E o que tem isso a ver com ensinamentos? Bem, que conhece a mito da caverna, de Platão, pode perceber a semelhança das situações. Quando eu "conhecia" o caminho apenas na escuridão, eu não sabia o que estava além do espaço iluminado. Tudo que eu podia fazer era imaginar o que haveria depois: talvez a periferia da cidade, talvez um campo de cultivo de soja, talvez pequenas propriedades de criação de gado leiteiro. Mas agora, ao ver o lugar sob a luz do dia, eu sei como ele é.
Assim também acontece comumente quando não conhecemos lugares, pessoas, povos. É como se viajássemos na escuridão. E acabamos formando nossa opinião apenas por pequenas luzes que são as informações que recebemos de outros sobre o assunto. 
Vou exemplificar com o caso da cidade de Manaus e com os povos indígenas.
Nos últimos dois anos tive a oportunidade de conviver bastante em Manaus devido ao curso de Doutorado de Lígia na UFAM. As informações que nos chegam sobre Manaus através da mídia de massa (entenda-se sobretudo sistema Globo) nos leva a criar uma imagem de Manaus que não corresponde a realidade. E um Globo Repórter  em que uma equipe de reportagem navegou o rio Amazonas a partir de Iquitos enquanto outra a partir de Belém, quando o âncora se referiu a Manaus, mencionou o Teatro Amazonas, como uma ilha de cultura do período da borracha, no meio da selva. Por informações como essa, antes de conhecer Manaus eu imaginava o Teatro Amazonas como uma edificação muito linda (que de fato é) cercado pela pobreza. Mas ao conhecer Manaus e o Teatro (sob a luz do dia e sem a escuridão do mass midia brasileiro), minha visão mudou completamente. A região central da cidade de Manaus ainda conserva uma arquitetura belíssima, com estilos do final do século XIX e primeira metade do XX. No entorno do Teatro Amazonas existem edificações belíssimas. O espaço cultural São Sebastião, com o tacaca da Gisela (e o evento do tacaca na bossa, organizado pleo Joaquim toda quarta-feira) e diversos espetáculos ao ar livre, fazem do lugar um espaço muito agradável. Neste espaço pude assistir diversas apresentações de ópera, teatro, musica e desfile de carnaval. Os prédios do Tribunal de Justiça, a praça do Congresso, recentemente  recuperada, bem como o Instituto de Educação do Amazonas e a praça da Saudade, fazem desta parte do centro de Manaus um espaço muito gostoso de conviver. É claro que Manaus tem problemas, como toda cidade tem, mas entende-la pelas informações que recebemos dos meios de comunicação, é como viagem no escuro.
O mesmo vale para todos os povos, indígenas ou não. Quando recebemos informações apenas dos meios de comunicação, viajamos na escuridão e mantemos visões que imaginam o que estaria compondo a paisagem. E acabamos caindo em preconcepções. Mas quando nos dedicamos a ir lá, ver, ouvir e depois escrever sobre eles, vendo-os sob a luz do dia, nossas percepção é outra e a Antropologia tem esse ponto de ser um instrumento para aproximar os povos fazendo a tarefa de transformar o exótico em familiar, ao mesmo tempo que transforma o familiar em exótico.
Da mesma maneira, espero que esta viagem de seis meses aos USA seja uma viagem diurna. E ajude a compreender melhor aquele país. Assim como Manaus, também dos Estados Unidos temos muitas informações fornecidas pelo mass midia. 
Quando estive lá pela primeira vez foi em abril de 2002. Faziam 7 meses do ataque de 11 de setembro. E já se iniciara os ataques ao Afeganistão e se preparava para o ataque ao Iraque. A questão da guerra era algo corriqueiro. E como fiquei apenas cinco dias daquela vez em Atlanta não trouxe muito boas impressões sobre lá. Para nós brasileiros a guerra é algo bastante distante. Mas para os americanos, parece que a guerra é algo cotidiano. Ouvi de um amigo historiador que a guerra é algo inevitável. Espero que com esta viagem, então, poder entender melhor algumas coisas da América do Norte e não ficar viajando apenas na escuridão.
Acabo de ver o blog da Associação Pempxa, do povo Apinaje. Esse uso de recurso midiático, feito pelos próprios indígenas, é um bom caminho para nos ajudar a fazer viagens diurnas.